quinta-feira, 10 de setembro de 2009

AS PERSEGUIÇÕES IMPERIAIS - Desde a Morte de João, 100 a.D. Até ao Edito de Constantino, 313 a.D.

O fato de maior destaque na História da Igreja no segundo e terceiro séculos foi, sem dúvida, a persegui¬ção ao Cristianismo pelos imperadores romanos. Ape¬sar de a perseguição não haver sido contínua, contudo ela se repetia durante anos seguidos, por vezes. Mesmo quando havia paz, a perseguição podia recomeçar a qualquer momento, cada vez mais violenta. A persegui¬ção, no quarto século, durou até o ano 313, quando o Edito de Constantino, o primeiro imperador cristão, fez cessar todos os propósitos de destruir a igreja de Cristo. Surpreendente é o fato de se constatar que durante esse período, alguns dos melhores imperadores foram mais ativos na perseguição ao Cristianismo, ao passo que os considerados piores imperadores, eram brandos na oposição, ou então não perseguiam a igreja. Antes de apresentar a história, investiguemos alguns dos motivos que forçaram o governo, de um modo geral justo e que procurava o bem-estar de seus concidadãos, a tentar durante duzentos anos, suprimir uma institui¬ção tão reta, tão obediente à lei e tão necessária, como era o Cristanismo. Podem-se apresentar várias causas para justificar o ódio dos imperadores ao Cristianismo.
O paganismo em suas práticas aceitava as novas formas e objetos de adoração que iam surgindo, enquanto o Cristianismo rejeitava qualquer forma ou objetos de adoração. Onde os deuses já se contavam aos centos, quiçá aos milhares, mais um ou menos um não represen¬tava diferença. Quando os habitantes de uma cidade desejavam desenvolver o comércio ou a imigração, construíam templos aos deuses que se adoravam em outros países ou cidades, a fim de que os habitantes desses países ou cidades fossem adorá-los. Eis por que nas ruínas da cidade de Pompéia, Itália, se encontra um templo de ísis, uma deusa egípcia. Esse templo foi edificado para fomentar o comércio de Pompéia com o Egito, fazendo com que os comerciantes egípcios se sentissem como em seu próprio país. Por outro lado, o Cristianismo opunha-se a qualquer forma de adoração, pois somente admitia adoração ao seu próprio Deus. Um imperador desejou colocar uma estátua de Cristo no Panteão, um edifício que existe em Roma até hoje, e no qual se colocavam todos os deuses importantes. Porém os cristãos recusaram a oferta com desprezo. Não desejavam que o seu Cristo fosse conhecido mera¬mente como um deus qualquer entre outros deuses.
A adoração aos ídolos estava entrelaçada com todos os aspectos da vida. As imagens eram encontradas em todos os lares para serem adoradas. Em todas as festividades eram oferecidas libações aos deuses. As imagens eram adoradas em todas as cerimônias cívicas ou provinciais. Os cristãos, é claro, não participavam dessas formas de adoração. Por essa razão, o povo não dado a pensar considerava-os como seres insociáveis, taciturnos, ateus que não tinham deuses, e aborrecedores de seus companheiros. Com reputação tão desfavorável por parte do povo em geral, apenas um passo os sepa¬rava da perseguição.
A adoração ao imperador era considerada como prova de lealdade. Nos lugares mais visíveis de cada cidade havia uma estátua do imperador reinante, e ainda mais, a essa imagem era oferecido incenso, como se oferecia aos deuses. Parece que em uma das primeiras epístolas de Paulo há uma referência cautelosa contra essa forma de idolatria. Os cristãos recusavam-se a prestar tal adoração, mesmo um simples oferecimento de incenso sobre o altar. Pelo fato de cantarem hinos e louvores e adorarem a "outro Rei, um tal Jesus", eram considera¬dos pelo povo como desleais e conspiradores de uma revolução.
A primeira geração dos cristãos era tida como rela¬cionada com os judeus e o Judaísmo era reconhecido pelo governo como religião permitida apesar de os ju¬deus viverem separados dos costumes idólatras e não comerem alimentos usados nas festas dos ídolos. Essa suposta relação preservou os cristãos por algum tempo da perseguição. Entretanto, após a destruição de Jeru-salém, no ano 70, o Cristianismo ficou isolado, sem nenhuma lei que protegesse seus seguidores do ódio dos inimigos.
As reuniões secretas dos cristãos despertaram suspeitas. Eles se reuniam antes do nascer do sol, ou então à noite, quase sempre em cavernas ou nas catacumbas subterrâneas. A esse respeito circulavam falsos rumores de que entre eles praticavam-se atos imorais e criminosos. Além disso, o governo autocrático do império suspeitava de todos os cultos e sociedades secretas, temendo propósitos desleais. A celebração da Ceia do Senhor, da qual eram excluídos os estranhos, repetidas vezes era causa de acusações e de perseguições.
O Cristianismo considerava todos os homens iguais. Não havia nenhuma distinção entre seus membros, nem em suas reuniões. Um escravo podia ser eleito bispo na igreja. Tudo isso eram coisas inaceitáveis para a mentalidade dos nobres, para os filósofos e para as classes governamentais. Os cristãos eram considerados como "niveladores da sociedade", portanto anarquistas, perturbadores da ordem social. Eis por que eram tidos na conta de inimigos do Estado.
Não raro os interesses econômicos também provacavam e excitavam o espírito de perseguição. Assim como o apóstolo Paulo, em Éfeso, esteve em perigo de morte, em razão de um motim incitado por Demétrio, o ourives, assim também, muitas vezes os governantes eram influenciados para perseguir os cristãos, por pessoas cujos interesses financeiros eram prejudicados pelo progresso da igreja: sacerdotes e demais servidores dos templos dos ídolos, os que negociavam com imagens, os escultores, os arquitetos que construíam templos, e todos aqueles que ganhavam a vida por meio da adora¬ção pagã. Não era coisa rara ouvir-se o populacho gritar: "Os cristãos às feras, aos leões quando seus negócios e sua arte estavam em perigo, ou quando funcionários públicos ambiciosos desejavam apoderar-se das propriedades de cristãos ricos.
Durante todo o segundo e terceiro séculos, e mui especialmente nos primeiros anos do quarto século até ao ano 313, a religião cristã era proibida e seus partidários eram considerados fora da lei. Apesar dessas circunstâncias, a maior parte do tempo a espada da perseguição estava embainhada e os discípulos rara¬mente eram molestados em suas observâncias de caráter religioso. Contudo, mesmo durante estes períodos de calma aparente, estavam sujeitos a perigo repentino a qualquer momento, sempre que um dos governantes desejasse executar os decretos, ou quando algum cristão eminente dava seu testemunho abertamente e sem medo.
Houve, contudo, alguns períodos de curta ou de longa duração, quando a igreja foi alvo de feroz perseguição. As perseguições do primeiro século, efetuadas por Nero (66-68) e por Domiciano (90-95) foram, não há dúvida, explosões de delírio e ódio, sem outro motivo, a não ser a ira de um tirano. Essas perseguições deram-se de forma esporádica e não se prolongavam por muito tempo. Entretanto, desde o ano 250 a 313 d.C. a igreja esteve sujeita a uma série sistemática e implacável de atentados governamentais em todo o império, a fim de esmagar a fé sempre crescente.

2 comentários:

  1. Os homens honravan sua fé na época das perseguições e mesmo corrrendo riscos adoravam a Deus e não o negavam, hoje é muito raro encontrar pessoas que tenham a mesma fé, mas se não pararmos para repensar os rumos da igreja e começarmos a evangelizar corremos um risco muito grande de voltarmos a época das perseguições, mesmo porque o pastor Luis nos mostrou um video onde esta crescendo muito a religião dos mulçumanos no mundo, é hora de buscar a Deus e sair do comodismo que vivemos e ganhar almas para o Deus perfeito que criou todas as coisas.

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  2. Muito interessante saber que a perseguição não era constante sobre os cristãos, fato esse que deve ter colaborado para o crescimento do cristianismo, mesmo porque se fosse continua a perseguição, será que resistiriam?

    Marcio

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